O Brasil é um país mundialmente reconhecido por sua rica biodiversidade. No entanto, apesar dessa riqueza, milhares de espécies da nossa fauna e flora enfrentam uma ameaça constante: a extinção. Para combater essa perda e proteger as plantas brasileiras em risco, o país mantém uma lista oficial de espécies da flora em extinção. O objetivo principal dessa ferramenta é conscientizar a população sobre quais vegetais estão em perigo iminente. Ao informar a todos sobre a situação crítica dessas plantas, busca-se engajar a sociedade na sua proteção. A preservação da nossa flora não é apenas uma questão ambiental, mas também um pilar fundamental para a manutenção dos nossos ecossistemas, da qualidade do ar e da água, e da própria vida no planeta.
O Pau-Brasil (Paubrasilia echinata) é uma árvore nativa da Mata Atlântica brasileira, conhecida por sua madeira de cor avermelhada intensa e de alta qualidade, que era muito valorizada para a produção de tinturas e móveis finos. Foi essa madeira que deu nome ao nosso país, tamanha a sua importância histórica e econômica nos primeiros séculos da colonização. A principal razão para o pau-brasil estar ameaçado de extinção é a exploração predatória e descontrolada que ocorreu desde a chegada dos portugueses ao Brasil. Durante séculos, a árvore foi derrubada em larga escala, sem qualquer preocupação com a reposição ou manejo sustentável das florestas. Essa extração maciça levou a uma drástica redução de suas populações. Além disso, a destruição do seu habitat natural, a Mata Atlântica, para dar lugar a lavouras, pastagens e cidades, também contribuiu significativamente para a diminuição das áreas onde o pau-brasil poderia crescer e se reproduzir.
A Araucária (Araucaria angustifolia), também conhecida como Pinheiro-do-Paraná ou Pinheiro-Brasileiro, é uma árvore imponente e símbolo da região Sul do Brasil, embora também seja encontrada em partes do Sudeste. Ela se destaca por seu formato peculiar, com tronco reto e uma copa que se assemelha a uma taça ou guarda-chuva invertido, com ramificações apenas no topo quando adulta. Pode atingir até 50 metros de altura e viver por centenas de anos. Está ameaçada de extinção principalmente devido ao desmatamento para atividades como agricultura, pecuária, exploração madeireira e construção de infraestruturas. Além disso, a coleta de pinhões de forma predatória e as mudanças climáticas também contribuem para a redução de suas populações.
O mogno-brasileiro (Swietenia macrophylla) é uma árvore nativa da Amazônia, mais comum no sul do Pará. Também ocorre no Acre, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Países como México e Peru também registram ocorrência da espécie.A árvore pode ser encontrada em floresta clímax, de terra firme, argilosa. O crescimento da planta é rápido, podendo atingir quatro metros aos dois anos de idade.O mogno corre sério risco de extinção. Um dos motivos é a extração de madeira clandestina que causa também devastação da floresta amazônica. Isso acontece porque o mogno tem alto valor comercial e aceitação no mercado internacional. A espécie já desapareceu de grandes áreas da Amazônia e resiste apenas em regiões de difícil acesso e em áreas protegidas. Mas mesmo as áreas protegidas não intimidam madeireiros ilegais, que abrem estradas na mata em busca das valiosas árvores de mogno. A derrubada ilegal e arraste da madeira leva à destruição de até 30 árvores próximas, o que agrava ainda mais o desmatamento.
A astromélia, também conhecida como lírio-peruviano ou lírio-dos-incas, é uma flor encantadora e bastante popular, nativa da América do Sul, especialmente do Brasil, Chile e Peru. Ela se destaca pela sua beleza vibrante, com flores que lembram pequenos lírios, apresentando uma ampla variedade de cores como laranja, rosa, roxa, vermelha, amarela e branca. É uma planta herbácea e rizomatosa, valorizada tanto para uso em jardins quanto como flor de corte, ou seja, para compor arranjos florais.A expansão da agricultura e da pecuária, com a consequente substituição de ecossistemas nativos por lavouras e pastagens (muitas vezes com a introdução de gramíneas exóticas), destrói o ambiente essencial para a sobrevivência dessas plantas. Além disso, o crescimento urbano e a fragmentação de habitats pelo avanço das cidades e infraestruturas isolam e diminuem as áreas onde essas espécies poderiam prosperar naturalmente. Práticas de manejo inadequado do solo, que levam à erosão, também contribuem para a degradação de seus ecossistemas.
A Quaternella glabratoides é uma espécie de planta com flor pertencente à família Amaranthaceae, a mesma família onde encontramos plantas como o amaranto e a beterraba. Ela é endêmica do Brasil, o que significa que ocorre naturalmente apenas em território brasileiro. É um arbusto ou sub-arbusto encontrado principalmente em biomas como o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pampa, em estados como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. A Quaternella glabratoides está classificada como "Em Perigo" (EN) devido a múltiplos fatores que ameaçam sua sobrevivência. Um dos principais motivos é sua distribuição restrita, o que a torna extremamente vulnerável a impactos localizados. A perda e degradação de seu habitat são as maiores causas. Isso ocorre por conta da mineração, que destrói a vegetação nativa; do desmatamento e queimadas para diversas finalidades; e do sobrepastejo e uso intensivo de agrotóxicos devido à pecuária e à expansão agrícola. Além disso, a construção de empreendimentos hidrelétricos pode submergir e alterar as áreas onde a planta ocorre. O desaparecimento de dunas, que servem como habitat específico, também é um problema.
O jacarandá-mimoso, cientificamente conhecido como Jacaranda mimosifolia, é uma árvore ornamental muito apreciada por suas flores roxas vibrantes em forma de trombeta, que aparecem profusamente na primavera e no início do verão. É nativa da Argentina, Bolívia e sul do Brasil, e é uma espécie de porte médio, atingindo cerca de 15 metros de altura. Suas folhas são delicadas e sua copa é ampla, o que a torna excelente para sombreamento em parques e jardins. O jacarandá-mimoso também é conhecido por suas raízes não agressivas, o que o torna ideal para arborização urbana em calçadas, praças e avenidas. O jacarandá-mimoso está classificado como Vulnerável (VU) em seu habitat natural pela IUCN. Essa classificação se deve principalmente à expansão urbana, agrícola e industrial, que destrói seu ambiente natural. Além disso, práticas como a agricultura de corte e queima eliminam árvores nativas. A demanda por sua madeira para móveis e instrumentos musicais também afeta as populações selvagens, especialmente quando a extração não é sustentável.
O jequitibá-rosa (Cariniana legalis), é uma das árvores mais imponentes e longevas da flora brasileira, podendo viver por centenas ou até milhares de anos. É conhecido popularmente como "gigante da floresta" e é o símbolo dos estados de São Paulo e Espírito Santo. Sua casca é grossa e rugosa, com tonalidade parda e avermelhada por dentro. A madeira, que tem um tom rosado no cerne, é moderadamente pesada e macia. Por ser uma árvore de grande porte, ela desempenha um papel crucial no ecossistema, servindo de abrigo e fonte de alimento para diversas espécies de animais, como macacos e aves.A principal razão para o jequitibá-rosa estar ameaçado de extinção é a exploração histórica e insustentável de sua madeira. Suas qualidades, como a beleza e durabilidade, a tornaram muito procurada para a fabricação de móveis de alta qualidade, assoalhos e outros objetos de madeira. Além disso, a casca da árvore também era utilizada na extração de tanino para o curtimento de couro.