Projetos de Preservação da Biodiversidade Brasileira

O Brasil, por abrigar uma das maiores biodiversidades do mundo, possui diversos projetos de preservação ambiental, muitos deles envolvendo parcerias entre governo, ONGs, universidades e comunidades locais. Abaixo estão alguns dos principais projetos e iniciativas voltados para a conservação da biodiversidade brasileira:

1. Projeto Tamar (ICMBio)

Projeto Tamar

Foco: Conservação de tartarugas marinhas.

Atuação: Presente em vários estados costeiros, o projeto monitora desovas, reabilita animais e promove educação ambiental.

O Projeto Tamar é uma das iniciativas mais conhecidas de conservação marinha no Brasil, criado em 1980 para proteger as cinco espécies de tartarugas marinhas que desovam no litoral brasileiro. Atuando em mais de 1.100 km de praias, o projeto monitora desovas, reabilita tartarugas feridas por redes de pesca ou poluição plástica e desenvolve programas de educação ambiental com comunidades costeiras. Além disso, promove alternativas econômicas sustentáveis, como o ecoturismo, para reduzir a pressão sobre os ecossistemas marinhos. Um dos grandes sucessos do Tamar é a proteção de mais de 40 milhões de filhotes desde sua fundação, contribuindo para a recuperação de populações como a tartaruga-de-pente, antes criticamente ameaçada.

2. Projeto Baleia Jubarte

Projeto Baleia Jubarte

Foco: Proteção das baleias-jubarte no litoral brasileiro.

Atuação: Pesquisa, monitoramento e turismo sustentável.

Dedicado à pesquisa e conservação das baleias-jubarte no litoral brasileiro, o Projeto Baleia Jubarte atua principalmente no Banco dos Abrolhos, principal berçário da espécie no Atlântico Sul. Utilizando monitoramento acústico e por satélite, os pesquisadores estudam rotas migratórias e comportamentos reprodutivos, enquanto trabalham para reduzir ameaças como colisões com embarcações e emalhe em redes de pesca. O projeto também fomenta o turismo responsável pela observação de baleias, gerando renda para comunidades locais. Graças a esses esforços, a população de jubartes no Brasil, que estava reduzida a cerca de 500 indivíduos nos anos 1980, hoje ultrapassa 25.000 animais, um marco para a conservação marinha.

3. Instituto Arara Azul

Instituto Arara Azul

Foco: Conservação da arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), espécie ameaçada.

Atuação: Monitoramento de ninhos, combate ao tráfico e conscientização.

Focado na preservação da arara-azul-grande, espécie icônica do Pantanal, o Instituto Arara Azul atua desde 1990 para reverter o declínio populacional causado pelo tráfico de animais e perda de habitat. O projeto monitora ninhos naturais e instala ninhos artificiais em árvores e paredões rochosos, garantindo locais seguros para reprodução. Além disso, envolve fazendeiros e comunidades locais em ações de proteção, mostrando que a convivência harmoniosa entre humanos e araras é possível. Como resultado, a população da espécie saltou de 1.500 indivíduos nos anos 1990 para aproximadamente 6.500 hoje, um exemplo de como a ciência e o engajamento social podem salvar uma espécie da extinção.

4. Projeto Onçafari (Rewilding e Ecoturismo)

Projeto Onçafari

Foco: Conservação da onça-pintada e promoção do ecoturismo.

Atuação: Reintrodução de onças em áreas degradadas e pesquisa científica.

O Projeto Onçafari combina conservação e ecoturismo para proteger a onça-pintada, maior felino das Américas e espécie-chave para o equilíbrio dos ecossistemas. Desde 2012, o projeto reintroduz onças em áreas onde foram extintas, como o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, utilizando técnicas de "rewilding" (resselvagerização). Colares de monitoramento e câmeras trap permitem estudar o comportamento dos animais após a soltura. Paralelamente, o Onçafari promove a observação responsável de onças no Pantanal, gerando renda para comunidades e incentivando a preservação. Essas ações já resultaram na reintrodução bem-sucedida de onças em biomas como Mata Atlântica e Cerrado, mostrando que é possível recuperar populações ameaçadas.

5. Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA)

Programa Áreas Protegidas da Amazônia

Foco: Criação e manutenção de Unidades de Conservação na Amazônia.

Atuação: Financiamento de parques e reservas, combate ao desmatamento.

Criado em 2002, o Programa ARPA é a maior iniciativa de proteção de florestas tropicais do mundo, financiando a criação e gestão de Unidades de Conservação (UCs) na Amazônia. Com uma área protegida de mais de 60 milhões de hectares (equivalente a duas vezes o tamanho da Alemanha), o ARPA combate o desmatamento ilegal através de monitoramento por satélite e fiscalização em campo. O programa também apoia o uso sustentável dos recursos por comunidades tradicionais, como a coleta de castanhas e o manejo de pirarucus. Graças a essas ações, o ARPA tem sido fundamental para frear a perda de biodiversidade na Amazônia, garantindo a preservação de espécies ameaçadas e serviços ecossistêmicos essenciais, como o armazenamento de carbono.

6. Projeto Coral Vivo

Projeto Coral Vivo

Foco: Conservação de recifes de coral no Banco dos Abrolhos (BA/ES).

Atuação: Pesquisa, restauração de corais e educação ambiental.

Baseado no Banco dos Abrolhos, região com a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul, o Projeto Coral Vivo atua desde 2003 para preservar recifes de coral ameaçados por mudanças climáticas, pesca predatória e turismo desordenado. Os pesquisadores restauraram corais danificados por âncoras de barcos e estudam a resistência desses organismos ao branqueamento causado pelo aquecimento dos oceanos. O projeto também capacita pescadores e mergulhadores em práticas sustentáveis e promove a educação ambiental em escolas. Com mais de 1.000 hectares de recifes monitorados, o Coral Vivo é uma referência na conservação marinha, mostrando como a ciência e a comunidade podem trabalhar juntas para proteger ecossistemas frágeis.

7. Instituto Mamirauá (Amazônia)

Instituto Mamirauá

Foco: Pesquisa e conservação da biodiversidade amazônica.

Atuação: Desenvolvimento sustentável, proteção de espécies como o peixe-boi e o uacari.

Localizado no coração da Amazônia, o Instituto Mamirauá desenvolve pesquisas e ações de conservação em uma das regiões mais biodiversas do planeta. Seus trabalhos incluem o manejo sustentável do pirarucu, peixe gigante que estava à beira da extinção, e a proteção de espécies endêmicas, como o macaco uacari-branco. O instituto também implementa sistemas agroflorestais com ribeirinhos, combinando agricultura e preservação. Um dos resultados mais notáveis foi a redução do desmatamento nas reservas onde atua, provando que é possível conciliar desenvolvimento humano e conservação na Amazônia.

8. Projeto Muriqui (Instituto Pri-Matas)

Projeto Muriqui

Foco: Proteção do muriqui (maior macaco das Américas, criticamente ameaçado).

Atuação: Pesquisa e recuperação de habitats na Mata Atlântica.

O muriqui-do-sul, maior primata das Américas e símbolo da Mata Atlântica, é o foco deste projeto que luta contra sua extinção. Com menos de 2.500 indivíduos restantes, a espécie sofre com a fragmentação de seu habitat. O Projeto Muriqui monitora grupos isolados em Minas Gerais e Espírito Santo, refloresta corredores ecológicos para conectar populações e trabalha com fazendeiros para evitar caça e desmatamento. Apesar dos desafios, o projeto já registrou a estabilização de algumas populações, um sinal de esperança para este primata tão especial.

9. Fundação Grupo Boticário

Fundação Grupo Boticário

Foco: Financiamento de projetos de conservação em todo o Brasil.

Atuação: Apoio a pesquisas e criação de reservas privadas.

Desde 1990, a Fundação Grupo Boticário financia projetos de conservação em todos os biomas brasileiros, com destaque para a Mata Atlântica e o Cerrado. Suas iniciativas incluem a criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), pesquisa com espécies ameaçadas como o mico-leão-dourado e o desenvolvimento de soluções baseadas na natureza para problemas urbanos, como enchentes. Com mais de 1.500 projetos apoiados, a fundação é um dos maiores investidores privados em conservação no Brasil, demonstrando que o setor empresarial pode ser um aliado crucial da biodiversidade.

10. SOS Mata Atlântica

SOS Mata Atlântica

Foco: Restauração da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados.

Atuação: Reflorestamento, monitoramento via satélite e advocacy.

A SOS Mata Atlântica é uma das ONGs mais atuantes na defesa deste bioma, que hoje possui menos de 12% de sua cobertura original. Seu trabalho inclui o monitoramento do desmatamento via satélite, campanhas de reflorestamento (como o "Clickarvore", que já plantou milhões de árvores) e pressão por políticas públicas mais rigorosas. Um dos grandes sucessos da organização foi a redução em 90% do desmatamento na Mata Atlântica desde os anos 2000, mostrando que a combinação de tecnologia, mobilização social e advocacy pode reverter cenários críticos.

11. ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)

ICMBio

Foco: Gestão de Unidades de Conservação federais.

Atuação: Proteção de espécies ameaçadas e ecossistemas críticos.

Responsável por gerir 334 Unidades de Conservação federais, o ICMBio é a espinha dorsal da proteção da biodiversidade no Brasil. Suas ações incluem a reintrodução de espécies como a ararinha-azul, o combate a incêndios em parques nacionais e a promoção do turismo sustentável em áreas protegidas. Apesar dos desafios orçamentários, o instituto preserva 9% do território brasileiro, garantindo a sobrevivência de incontáveis espécies e ecossistemas ameaçados.

12. Projeto Rewilding (Instituto Espaço Silvestre)

Projeto Rewilding

Foco: Gestão de Unidades de Conservação federais.

Atuação: Reprodução em cativeiro e soltura na natureza.

Este projeto pioneiro no Brasil trabalha para reintroduzir espécies extintas na natureza, como a ararinha-azul, que desapareceu do sertão da Bahia devido ao tráfico. Através de reprodução em cativeiro e parcerias internacionais, o projeto preparou as primeiras solturas em 2022, um marco para a conservação. Além disso, o Instituto Espaço Silvestre restaura habitats degradados na Caatinga, mostrando que é possível reverter até mesmo os cenários mais críticos de perda de biodiversidade.

13. Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

Foco: Recuperação de 15 milhões de hectares até 2050.

Atuação: Articulação entre ONGs, empresas e governo.

Esta coalizão de ONGs, empresas e governos tem a ambiciosa meta de restaurar 15 milhões de hectares de Mata Atlântica até 2050. Priorizando corredores ecológicos para conectar fragmentos florestais isolados, o pacto já viabilizou o plantio de mais de 700 mil hectares desde 2009. Sua abordagem coletiva prova que a restauração em larga escala só é possível com a integração de múltiplos atores.

14. Projeto Peixe-Boi Marinho (ICMBio)

Projeto Peixe-Boi Marinho

Foco: Conservação do peixe-boi marinho no Nordeste.

Atuação: Resgate, reabilitação e soltura.

O peixe-boi marinho, mamífero aquático ameaçado de extinção no Nordeste, é o foco deste projeto que resgata filhotes órfãos, reabilita adultos feridos e os reintroduz em estuários e manguezais. Além disso, o projeto educa pescadores sobre a importância da espécie, reduzindo capturas acidentais. Com mais de 100 animais devolvidos à natureza, a iniciativa é um exemplo de como a conservação pode recuperar populações à beira do colapso.

15. Instituto Araguaia (Cerrado e Amazônia)

Instituto Araguaia

Foco: Proteção de áreas críticas no Araguaia.

Atuação: Combate a incêndios e preservação de espécies como a anta.

Atuando na transição entre Cerrado e Amazônia, o Instituto Araguaia protege áreas críticas como o Parque Estadual do Cantão, em Tocantins. Seus trabalhos incluem o combate a incêndios florestais, o monitoramento de onças-pintadas e antas com armadilhas fotográficas e a promoção do turismo científico. Com uma redução de 80% nos incêndios em sua área de atuação, o instituto demonstra que a preservação é possível mesmo em regiões sob forte pressão agropecuária.

Como Ajudar?